Coruja-buraqueira

Coruja-buraqueira (Athene cunicularia) em frente à entrada de sua toca em área de campo aberto, observando atentamente o ambiente.
Imagem ilustrativa produzida por inteligência artificial para fins educativos – para o Blog das Aves.
A Coruja-buraqueira vive em tocas no solo e pode ser observada durante o dia em campos, pastagens e áreas abertas de todo o Brasil.

Coruja-buraqueira (Athene cunicularia)

A Coruja que vive no chão e encanta observadores de aves em todo o Brasil


Poucas aves despertam tanta curiosidade quanto a Coruja-buraqueira (Athene cunicularia). Diferentemente da maioria das corujas, que vivem escondidas em árvores ou florestas densas, essa espécie prefere áreas abertas e utiliza buracos no solo como abrigo e local de reprodução. Seu comportamento diurno, olhar atento e postura sempre vigilante fazem dela uma das aves mais fáceis de observar no Brasil, tanto em ambientes naturais quanto em áreas urbanas.

Encontrada em praticamente todo o território brasileiro, a Coruja-buraqueira ocupa campos, cerrados, restingas, pastagens, dunas e até terrenos baldios. É comum vê-la pousada ao lado da entrada de sua toca, observando cuidadosamente os arredores antes de realizar voos curtos e silenciosos em busca de alimento.

Além de sua aparência marcante, essa pequena ave de rapina desempenha um importante papel ecológico ao controlar populações de insetos, pequenos roedores, répteis e outros animais considerados pragas naturais. Sua presença contribui para o equilíbrio dos ecossistemas e beneficia inclusive áreas agrícolas.

Apesar de ser relativamente comum, a Coruja-buraqueira enfrenta desafios provocados pela expansão urbana, destruição de habitats e atropelamentos em rodovias. Conhecer sua biologia e seus hábitos é fundamental para promover sua conservação e valorizar uma das espécies mais carismáticas da avifauna brasileira.


Resumo

InformaçãoDados
Nome popularCoruja-buraqueira
Nome científicoAthene cunicularia
FamíliaStrigidae
OrdemStrigiformes
Comprimento21–28 cm
Envergadura50–61 cm
Peso140–240 g
AlimentaçãoInsetos, pequenos mamíferos, répteis, anfíbios e aves
HabitatCampos, Cerrado, restingas, pastagens e áreas urbanas abertas
DistribuiçãoAméricas
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC)

Classificação científica

CategoriaClassificação
ReinoAnimalia
FiloChordata
ClasseAves
OrdemStrigiformes
FamíliaStrigidae
GêneroAthene
EspécieAthene cunicularia

Taxonomia

A Coruja-buraqueira pertence à família Strigidae, que reúne a maior parte das corujas conhecidas no mundo. Durante muito tempo, algumas populações foram tratadas como subespécies distintas devido às variações de tamanho e coloração observadas ao longo de sua ampla distribuição geográfica.

Atualmente, Athene cunicularia é reconhecida como uma espécie amplamente distribuída pelas Américas, apresentando diversas subespécies adaptadas a diferentes ambientes. No Brasil, a forma mais comum está presente em quase todos os biomas.

Sua classificação taxonômica reflete adaptações únicas, como o hábito de utilizar tocas no solo, comportamento raro entre as corujas.


Nome científico

Athene cunicularia (Molina, 1782).

O gênero Athene faz referência à deusa Atena, da mitologia grega, símbolo da sabedoria, frequentemente representada ao lado de uma coruja.

O epíteto específico cunicularia deriva do latim cuniculus (“toca” ou “galeria subterrânea”), em alusão ao hábito característico da espécie de viver e nidificar em buracos escavados no solo.


Nomes comuns

A espécie é conhecida por diversos nomes populares:

  • Coruja-buraqueira
  • Coruja-do-campo
  • Coruja-da-terra
  • Coruja-das-tocas
  • Caburé-do-campo (em algumas regiões)

Em inglês é chamada de Burrowing Owl, nome que também destaca seu hábito de utilizar tocas subterrâneas.


Origem do nome

O nome Coruja-buraqueira surgiu devido ao comportamento bastante incomum da espécie: utilizar buracos escavados no solo como abrigo, local de descanso e reprodução.

Na maioria das vezes, essas tocas não são escavadas pela própria ave. Elas aproveitam galerias abandonadas por tatus, tatus-peba, preás e outros mamíferos escavadores, adaptando-as às suas necessidades.

Esse comportamento representa uma importante estratégia de proteção contra predadores e condições climáticas extremas.


Características físicas

A Coruja-buraqueira apresenta porte pequeno, mas aparência robusta e extremamente expressiva.

Tamanho

O comprimento varia entre 21 e 28 centímetros.

Envergadura

A abertura das asas varia entre 50 e 61 centímetros, permitindo voos rápidos e ágeis próximos ao solo.

Peso

Os adultos pesam entre 140 e 240 gramas, variando conforme sexo, idade e disponibilidade de alimento.

Plumagem

A plumagem apresenta coloração predominantemente marrom com manchas e pintas brancas distribuídas pelo dorso, asas e cabeça.

O peito é claro, com barras horizontais castanhas.

Essa combinação proporciona excelente camuflagem em campos secos e áreas arenosas.

Cabeça

A cabeça é arredondada e proporcionalmente grande.

Ao contrário de muitas corujas, não possui tufos de penas que lembram “orelhas”.

Olhos

Possui olhos grandes de coloração amarelo-intensa, adaptados tanto à visão diurna quanto noturna.

Sua visão binocular proporciona excelente percepção de profundidade durante a caça.

Bico

O bico é curto, fortemente curvado e apresenta coloração acinzentada a esverdeada.

É extremamente eficiente para capturar insetos e pequenos vertebrados.

Pernas

As pernas são relativamente longas para uma coruja e parcialmente cobertas por penas.

Essa característica facilita seus deslocamentos caminhando pelo solo.

Asas

As asas são relativamente curtas e arredondadas, adaptadas para voos rápidos e de baixa altitude.

Cauda

Curta e discretamente barrada, auxilia nas manobras durante o voo.


Dimorfismo sexual

O dimorfismo sexual é discreto.

Macho

  • ligeiramente menor;
  • plumagem geralmente mais clara;
  • participa intensamente da alimentação da família.

Fêmea

  • um pouco maior;
  • corpo mais robusto;
  • pode apresentar plumagem ligeiramente mais escura durante o período reprodutivo devido ao desgaste das penas causado pela incubação.

Na natureza, distinguir os sexos apenas pela aparência costuma ser difícil.


Acasalamento e reprodução

Sistema reprodutivo

A Coruja-buraqueira forma casais predominantemente monogâmicos, que podem permanecer juntos por várias temporadas reprodutivas.

Época reprodutiva

No Brasil, a reprodução ocorre principalmente entre agosto e dezembro, podendo variar conforme a região e as condições climáticas.

Durante esse período, o macho intensifica as vocalizações, realiza voos de exibição e oferece alimento à fêmea.

Ninho

O ninho é instalado em uma toca subterrânea.

O casal costuma revestir o interior com:

  • gramíneas secas;
  • folhas;
  • raízes finas;
  • penas;
  • esterco seco de mamíferos, que ajuda a atrair insetos dos quais os filhotes também podem se alimentar.

Postura

A fêmea coloca entre 4 e 9 ovos, podendo haver variações conforme a disponibilidade de alimento.

A incubação dura aproximadamente 28 a 30 dias.

Enquanto a fêmea incuba, o macho é responsável pela maior parte da alimentação.

Filhotes

Os filhotes nascem cobertos por penugem branca e permanecem protegidos dentro da toca durante as primeiras semanas.

Após cerca de duas semanas, começam a aparecer na entrada do ninho, onde observam o ambiente sob a vigilância dos pais.

Os primeiros voos geralmente ocorrem entre 40 e 45 dias de idade.

Mesmo após aprenderem a voar, os jovens continuam recebendo alimento dos adultos por algum tempo.

Canto da Coruja-buraqueira

Embora seja silenciosa durante boa parte do dia, a Coruja-buraqueira possui um repertório variado de vocalizações.

Entre os sons mais comuns estão:

  • assobios curtos;
  • chamados graves;
  • trinados suaves entre o casal;
  • vocalizações de alerta;
  • sons emitidos pelos filhotes para solicitar alimento.

Quando ameaçada, pode produzir estalos com o bico e emitir sons semelhantes ao chocalho de uma cascavel, comportamento que ajuda a afastar predadores.


Alimentação

Sua dieta é bastante variada.

Alimenta-se principalmente de:

  • gafanhotos;
  • besouros;
  • grilos;
  • cupins;
  • escorpiões;
  • aranhas;
  • pequenos roedores;
  • lagartos;
  • pequenas serpentes;
  • anfíbios;
  • pequenas aves;
  • minhocas.

Essa diversidade alimentar permite que a espécie se adapte facilmente a diferentes ambientes.


Comportamento na alimentação

A Coruja-buraqueira caça tanto durante o dia quanto ao entardecer e à noite.

Entre suas estratégias de caça destacam-se:

  • observação a partir de mourões, pedras ou cercas;
  • caminhadas pelo solo;
  • voos rasantes para capturar insetos;
  • perseguição rápida de pequenos vertebrados;
  • captura de presas nas proximidades da toca.

Após capturar o alimento, retorna frequentemente ao poleiro ou à entrada da toca para consumi-lo.


Distribuição geográfica

Países onde ocorre

A Coruja-buraqueira possui ampla distribuição pelas Américas.

Pode ser encontrada em:

  • Canadá (regiões do sul);
  • Estados Unidos;
  • México;
  • Belize;
  • Guatemala;
  • Honduras;
  • Nicarágua;
  • Costa Rica;
  • Panamá;
  • Colômbia;
  • Venezuela;
  • Guianas;
  • Equador;
  • Peru;
  • Bolívia;
  • Paraguai;
  • Uruguai;
  • Argentina;
  • Chile;
  • Brasil.

No Brasil

Está presente em praticamente todos os estados brasileiros.

É especialmente comum nos biomas:

  • Cerrado;
  • Caatinga;
  • Pantanal;
  • Pampa;
  • Campos Sulinos;
  • Restingas da Mata Atlântica;
  • áreas abertas da Amazônia.

Também ocorre com frequência em parques urbanos, aeroportos, terrenos baldios e áreas rurais.


Habitat

A Coruja-buraqueira prefere ambientes abertos com vegetação baixa.

Os habitats mais utilizados incluem:

  • campos naturais;
  • Cerrado;
  • Caatinga;
  • pastagens;
  • restingas;
  • dunas costeiras;
  • áreas agrícolas;
  • parques urbanos;
  • terrenos baldios;
  • margens de rodovias.

Evita florestas densas, onde a disponibilidade de tocas e a visibilidade para caçar são menores.


Estado de conservação

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a Coruja-buraqueira encontra-se classificada como Pouco Preocupante (Least Concern – LC).

Apesar disso, algumas populações locais vêm sofrendo declínio devido a:

  • expansão urbana;
  • destruição de áreas campestres;
  • eliminação de tocas;
  • atropelamentos;
  • uso indiscriminado de pesticidas;
  • perseguição motivada por superstições.

A preservação de áreas abertas, a educação ambiental e a proteção de locais de reprodução são fundamentais para garantir a manutenção dessa espécie em longo prazo.


Aves semelhantes

Embora seja popularmente chamada apenas de “Coruja-buraqueira”, existem outras corujas brasileiras que podem ser confundidas com ela. A tabela abaixo destaca as principais diferenças.

CaracterísticaCoruja-buraqueira (Athene cunicularia)Caburé (Glaucidium brasilianum)Mocho-diabo (Asio clamator)
FamíliaStrigidaeStrigidaeStrigidae
Comprimento21–28 cm15–18 cm36–38 cm
Envergadura50–61 cm35–40 cm90–100 cm
Peso140–240 g60–95 g320–550 g
HabitatCampos, Cerrado, pastagens e áreas urbanasBosques, matas e jardinsCampos, brejos e áreas abertas
AtividadeDiurna, crepuscular e noturnaPrincipalmente diurna e crepuscularPredominantemente noturna
Local de nidificaçãoTocas no soloCavidades em árvoresÁrvores e ninhos abandonados
AlimentaçãoInsetos, pequenos mamíferos, répteis e avesInsetos e pequenos vertebradosRoedores, aves e anfíbios
DistribuiçãoAméricasAméricasAmérica do Sul

Curiosidades

A Coruja-buraqueira é uma das corujas mais conhecidas do Brasil e possui comportamentos únicos que despertam o interesse de pesquisadores e observadores de aves.

1. Vive no chão

Enquanto a maioria das corujas utiliza árvores como abrigo, a Coruja-buraqueira passa boa parte da vida no solo.

2. Nem sempre escava sua toca

Na maioria das vezes ocupa buracos feitos por tatus, preás e outros animais escavadores, realizando apenas pequenas adaptações.

3. Enxerga muito bem durante o dia

Ao contrário da maioria das corujas, apresenta excelente visão diurna, sendo frequentemente observada caçando sob sol intenso.

4. Possui excelente audição

Mesmo escondida dentro da toca, consegue detectar a aproximação de predadores através dos sons produzidos no solo.

5. Balança o corpo quando está alerta

É comum observar indivíduos realizando pequenos movimentos para frente e para trás enquanto observam possíveis ameaças.

Esse comportamento pode ajudar na percepção de distância e também funcionar como sinal de alerta.

6. Imita uma cascavel

Quando o ninho é ameaçado, especialmente pelos filhotes, pode emitir um som semelhante ao chocalho de uma cascavel, afastando possíveis predadores.

7. É excelente controladora de pragas

Cada casal pode consumir milhares de insetos e dezenas de pequenos roedores ao longo de um ano.

8. Convive bem com o ser humano

Desde que existam áreas abertas e locais para escavar ou ocupar tocas, adapta-se relativamente bem a ambientes urbanos.

9. Costuma utilizar o mesmo território

Casais permanecem durante anos utilizando praticamente a mesma área para alimentação e reprodução.

10. É uma das corujas mais fotografadas do Brasil

Seu hábito diurno e a facilidade de aproximação tornam a espécie muito popular entre fotógrafos de natureza.


Perguntas frequentes (FAQ)

A Coruja-buraqueira é venenosa?

Não. Ela não possui qualquer tipo de veneno.

Ela faz mal para as pessoas?

Não. É uma ave extremamente tranquila e evita qualquer contato com seres humanos.

Por que vive em buracos?

As tocas oferecem proteção contra predadores, calor excessivo, chuva e servem como local seguro para criar os filhotes.

Ela enxerga durante o dia?

Sim. Diferentemente da maioria das corujas, possui excelente visão diurna.

O que ela come?

Insetos, gafanhotos, besouros, grilos, escorpiões, lagartos, pequenas serpentes, roedores, anfíbios e pequenas aves.

Ela caça somente à noite?

Não.

Pode caçar durante:

  • manhã;
  • tarde;
  • crepúsculo;
  • noite.

Essa flexibilidade aumenta seu sucesso na obtenção de alimento.

Quanto tempo vive?

Na natureza pode viver entre 8 e 10 anos, podendo ultrapassar 15 anos sob cuidados especializados.

A Coruja-buraqueira está ameaçada de extinção?

Globalmente não.

Entretanto, algumas populações locais diminuem devido à urbanização, destruição de tocas e atropelamentos.

Posso criar uma Coruja-buraqueira em casa?

Não.

Trata-se de uma ave silvestre protegida pela legislação brasileira, e sua captura ou criação sem autorização dos órgãos competentes é proibida.

Qual a importância da espécie para a natureza?

Controla populações de insetos e pequenos vertebrados, contribuindo para o equilíbrio ecológico e auxiliando inclusive na redução de pragas agrícolas.


Concluindo

A Coruja-buraqueira (Athene cunicularia) é uma das aves mais carismáticas e adaptáveis das Américas. Seu hábito incomum de viver em tocas subterrâneas, aliado à capacidade de caçar durante o dia e à facilidade de ocupar diferentes ambientes, faz dela uma espécie única entre as corujas.

Além de encantar observadores e fotógrafos de natureza, desempenha um papel ecológico essencial ao controlar populações de insetos, roedores e outros pequenos animais. Essa função contribui diretamente para o equilíbrio dos ecossistemas e beneficia também atividades agrícolas.

Apesar de ainda ser considerada uma espécie de Pouco Preocupante, a preservação de campos naturais, áreas de Cerrado, restingas e outros ambientes abertos é indispensável para garantir sua sobrevivência a longo prazo. A conscientização da população sobre a importância dessa ave ajuda a reduzir perseguições motivadas por superstições e favorece sua conservação.

Observar uma Coruja-buraqueira em seu habitat natural é uma experiência marcante. Seu olhar atento, postura elegante e comportamento curioso lembram que mesmo as espécies mais comuns possuem características extraordinárias e merecem nosso respeito e proteção.


Obs: Post criado por inteligência artificial

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